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EPILEPSIA: COMO É O TRATAMENTO COM MEDICAMENTOS?

Equipe Farmacologia Informa


A epilepsia é uma doença caracterizada pela ocorrência de crises epiléticas resultantes da alteração temporária e reversível do funcionamento dos neurônios. Por alguns segundos ou minutos, os neurônios emitem descargas elétricas anormais restritas a um local do cérebro ou que se originam em algum ponto e rapidamente se espalham, gerando crises convulsivas classificadas em crises focais ou generalizadas, respectivamente. As crises epiléticas podem levar a alterações de consciência, eventos motores, sensitivos/sensoriais ou psíquicos involuntários (1,2).

O diagnóstico de uma crise epiléptica é feito clinicamente por meio da obtenção de uma história detalhada e de um exame físico geral. Alguns exames complementares como o eletroencefalograma (EEG), ressonância magnética (RM) do encéfalo e tomografia computadorizada (TC) de crânio também podem ser solicitados (3).

Os fármacos antiepilépticos são a base do tratamento da epilepsia, tendo como objetivo a melhora da qualidade de vida do paciente e o controle das crises, com um mínimo de efeitos adversos, e, idealmente, a remissão total das crises (1). Os fármacos antiepiléticos agem, através de vários mecanismos de ação, impedindo a geração e a propagação dos impulsos elétricos anormais dos neurônios (4).

O tratamento da epilepsia deve ser individualizado e iniciado em monoterapia com um fármaco antiepiléptico que seja eficaz para o tipo de crise epilética do paciente. A troca do fármaco deve ser realizada quando as crises epiléticas não são controladas ou pioram, ou quando o paciente apresenta intolerância ao primeiro fármaco escolhido (1). Estima-se que 70% dos casos apresentam sucesso no tratamento farmacológico da epilepsia, enquanto que 20-30% dos casos são mais complexos e assim são considerados refratários ao tratamento (5).

Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, os seguintes medicamentos são disponibilizados para tratamento da epilepsia: ácido valproico, carbamazepina, clonazepam, fenitoína, fenobarbital, clobazam, etossuximida, gabapentina, lamotrigina, primidona, topiramato, vigabatrina e levetiracetam. Por exemplo, no tratamento da epilepsia focal, a carbamazepina, a fenitoína e o ácido valproico são considerados os fármacos de escolha para adultos, enquanto somente a carbamazepina é considerada de escolha para crianças (1).

Os fármacos antiepiléticos estão associados a muitos efeitos adversos, que variam de acordo com o fármaco usado; podem causar alterações de exames laboratoriais, como dos níveis de colesterol, triglicerídeos e de enzimas do fígado; e podem apresentar interações medicamentosas quando utilizados em conjunto com outros fármacos (1). Por exemplo, o fenobarbital, a fenitoína e a carbamazepina aumentam o metabolismo dos hormônios presentes nos anticoncepcionais hormonais e podem reduzir a sua eficácia (6).

Na pesquisa e desenvolvimento de novas terapias para o tratamento da epilepsia, o canabidiol (CBD), segunda substância mais abundante na espécie Cannabis sativa, vem se mostrando promissor para o tratamento dos casos de epilepsia refratária grave (7). Atualmente, no Brasil, existem 18 produtos à base de Cannabis aprovados pela ANVISA (8), os quais podem ser prescritos quando estiverem sido esgotadas as opções terapêuticas disponíveis no mercado brasileiro para aquela determinada condição clínica. A indicação e a forma de uso dos produtos à base de Cannabis são de responsabilidade do médico assistente (9).

Portanto, o acompanhamento médico e de outros profissionais de saúde durante o tratamento farmacológico da epilepsia é essencial para o sucesso do esquema terapêutico escolhido.

Referências Bibliográficas


1- MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Portaria conjunta Nº 17 de 21 de junho de 2018. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Epilepsia.

2- https://www.epilepsia.org.br/mitos-verdades. Acesso em maio de 2022.

3- KOEPP MJ, WOERMANN FG. Imaging structure and function in refractory focal epilepsy. Lancet Neurol. 4: 42-53, 2005.

4- ROGAWSKI MA, LÖSCHER W. The neurobiology of antiepileptic drugs. Nat Rev Neurosci. 5: 553-64, 2004.

5- https://www.paho.org/pt/noticias/24-1-2019-mais-da-metade-das-pessoas-com-epilepsia-na-america-latina-e-no-caribe-nao. Acesso em maio de 2022.

6- FINOTTI M. Manual de anticoncepção. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), 2015.

7- GOLUB V, REDDY DS. Cannabidiol therapy for refractory epilepsy and seizure disorders. Adv Exp Med Biol. 1264: 93-110, 2021.

8- https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2022/anvisa-aprova-mais-tres-produtos-de-cannabis-para-uso-medicinal. Acesso em maio de 2022.

9- MINISTÉRIO DA SAÚDE. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução Da Diretoria Colegiada - RDC Nº 327, de 9 de dezembro de 2019.

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