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Atualização sobre as evidências científicas acerca da vitamina D na COVD-19.

Equipe Farmacologia Informa

Nos meses iniciais da pandemia de COVID-19 foi levantado o possível papel da vitamina D (25-hidroxivitamina D) na prevenção e terapêutica da COVID-19, como relatado em nosso informativo de Julho. Desde então diversos trabalhos foram publicados nesse contexto e algumas evidências recentes apontam uma relação entre os níveis de vitamina D e a infeção por SARS-CoV-2. Dados mostram que a doença se manifesta de forma mais grave em grupos específicos, como indivíduos de idade avançada, com sobrepeso e obesidade, e aqueles com comorbidades (Ex: câncer, doença renal crônica, doenças pulmonares obstrutivas crônicas, doenças cardíacas e diabetes tipo 2) e fumantes (1). Muitos desses grupos já são conhecidos por apresentarem baixos níveis de vitamina D (2-5).

Recentemente, no Irã, um estudo envolvendo 611 pacientes com covid-19 mostrou que 67,2% dos pacientes apresentavam deficiência de vitamina D, com valores de 25-hidroxivitamina D inferiores a 30 ng/mL no sangue (6). Um estudo clínico piloto realizado no Colorado (EUA), envolvendo 21 pacientes internados em unidade de terapia intensiva com a forma severa da COVID-19, mostrou que todos apresentavam níveis de vitamina D inferiores a 30 ng/mL, diferente dos demais pacientes hospitalizados e sem COVID-19 que tinham valores normais de vitamina D (7).

Já um estudo retrospectivo envolvendo 218.372 pacientes de todos os 50 estados dos Estados Unidos identificou uma correlação entre o número de casos positivos para SARS-CoV-2 e baixos níveis circulantes de vitamina D, onde 54% dos pacientes apresentavam valores inferiores a 20 ng/mL. Além disso, os autores do trabalho apresentaram que as populações afro-americanas e latinas apresentam maior risco pois apresentam menores níveis plasmáticos de vitamina D (8).

Um segundo estudo retrospectivo, realizado em Israel (com 14 mil membros do serviço de saúde Leumit), também mostrou correlação entre baixos níveis de vitamina D e o número de casos positivos para COVID-19 (9). Na Áustria, Pizzini e colaboradores realizaram um estudo prospectivo, multicêntrico e observacional, objetivando avaliar a persistência de dano cardiopulmonar em pacientes com COVID-19 e constataram uma relação entre os casos mais severos da doença com níveis baixos de vitamina D. Entretanto, os níveis baixos de vitamina D não serviram para predizer a severidade da COVID-19 (10).

Além desses estudos citados, outros também apresentaram correlação similar entre deficiência de vitamina D e severidade da doença ou mortalidade (11-13). No entanto, ainda não há dados a respeito do uso terapêutico ou profilático da suplementação com vitamina D para COVID-19. Vale citar, que o início de suplementação com vitamina D só deve ser realizada se constatada deficiência dela, visto que o excesso de vitamina pode ser tóxico (14). No clinicaltrials.com existem 18 estudos clínicos intervencionistas em andamento para avaliar se a suplementação com vitamina D sozinha ou associada a outros fármacos têm efeitos na doença (15).


Glossário

Estudo prospectivo, multicêntrico e observacional: modelo de estudo onde os pesquisadores observam sem intervir. Tem tamanho da amostra, critérios, grupos e tempo de duração do estudo pré definidos antes da coleta de dados. Sendo realizado com os mesmos protocolos em diversas instituições participantes da pesquisa.


1. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Evidence used to update the list of underlying medical conditions that increase a person’s risk of severe illness from COVID-19. Available at: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/need-extra-precautions/evidence-table.html. Acessado em 13 de Outubro, 2020.

2. Gallagher JC. Vitamin D and aging. Endocrinol Metab Clin North Am. 2013;42:319–332.

3. Roth DE, Abrams SA, Aloia J, et al. Global prevalence and disease burden of vitamin D deficiency: a roadmap for action in low- and middle-income countries. Ann N Y Acad Sci. 2018;1430:44–79.

4. Pereira-Santos M, Costa PR, Assis AM, et al. Obesity and vitamin D deficiency: a systematic review and meta-analysis. Obes Rev. 2015;16:341–349.

5. Parva NR, Tadepalli S, Singh P, et al. Prevalence of vitamin D deficiency and associated risk factors in the US population (2011-2012). Cureus. 2018;10:e2741.

6. Maghbooli Z, Sahraian MA, Ebrahimi M, et al. Vitamin D sufficiency, a serum 25-hydroxyvitamin D at least 30 ng/mL reduced risk for adverse clinical outcomes in patients with COVID-19 infection. PLoS One. 2020 Sep 25;15(9):e0239799.

7. Arvinte C, Singh M, Marik PE. Serum levels of vitamin C and vitamin D in a cohort of critically ill COVID-19 patients of a north American community hospital intensive care unit in may 2020. A pilot study. Med Drug Discov. 2020 Sep 18:100064.

8. Kaufman HW, Niles JK, Kroll MH, et al. SARS-CoV-2 positivity rates associated with circulating 25-hydroxyvitamin D levels. PLoS One. 2020 Sep 17;15(9):e0239252

9. Merzon E, Tworowski D, Gorohovski A, et al. Low plasma 25(OH) vitamin D level is associated with increased risk of COVID-19 infection: an Israeli population-based study. FEBS J. 2020 Jul 23;10.1111/febs.15495.

10. Pizzini A, Aichner M, Sahanic S, et al. Impact of Vitamin D Deficiency on COVID-19-A Prospective Analysis from the CovILD Registry. Nutrients. 2020 Sep 11;12(9):E2775.

11. Radujkovic A, Hippchen T, Tiwari-Heckler S, et al. Vitamin D Deficiency and Outcome of COVID-19 Patients. Nutrients . 2020 Sep 10;12(9):E2757.

12. Meltzer DO, Best TJ, Zhang H, et al. Association of Vitamin D Status and Other Clinical Characteristics With COVID-19 Test Results. JAMA Netw Open. 2020 Sep 1;3(9):e2019722.

13. Mardani R, Alamdary A, Nasab SDM, et al. Association of vitamin D with the modulation of the disease severity in COVID-19. Virus Res. 2020 Aug 28;289:198148.

14. Lim K. Vitamin D Toxicity. Braz. J. Nephrol. 2020 vol.42 no.2

15. https://clinicaltrials.gov. Acessado em 06 de Outubro, 2020.

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